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Review do novo álbum de Madonna, 'MDNA'

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Lucas Alves


“MDNA” saiu antes da data marcada, mas não exatamente de maneira acidental. Em mais uma das ações questionáveis de sua equipe, o álbum na versão standard foi disponibilizado em streaming para Estados Unidos e Canadá, seis dias antes do lançamento. Música por música, tivemos acesso ao trabalho completo. 

Começa com a já conhecida “Girl Gone Wild”, que ganhará versão imagética em breve, para coincidir com o lançamento oficial do trabalho. É boa, dançante, mas longe de ser inovadora. Ainda parece uma demo, com vocais abafados e pouca minúcia de Benny Benassi. Madonna também poderia ter colocado seus vocais com mais interesse. Depois do clipe, aposto que a veremos e escutaremos de outra maneira. 

“Gang Bang” é a faixa de ouro cravada com diamantes. A parte genial, fora do normal, excitante e nova. Difícil entender por que não foi colocada como single, já que teria sido uma melhor primeira impressão. O dubstep antecipado por sua pupila Britney Spears, coroa a faixa feita em parceria com Mika. Sussurros, gemidos, linhas faladas por Dita Parlo. Poderia ter saído da trilha sonora de qualquer filme do Quentin Tarantino. Ou a própria Madonna poderia ser a personagem de lingerie e armas de fogo. A ideia de imagem é de “What It Feels Like For a Girl” com sangue, raiva, deboche, humor negro e 
ação.

“I’m Addicted” é uma daquelas que não demos nada pelo preview. A faixa tem uma pegada progressista; a música atinge seu ápice eletrônico e acalma os sintetizadores durante a execução. Barulhenta, pegajosa e agradará os fãs de música eletrônica. Surpreendeu positivamente. 

“Turn Up The Radio” é aquela que muitos sites já creditaram como próxima música de trabalho. É gostosa, alegre e deverá funcionar muito bem no palco. É um dance menos pegajoso do que a faixa anterior, porém muito mais radiofônico, comercial e óbvio. É a chance de Madonna de ter uma boa colocação nos charts com o ‘MDNA’.   Anotem: este será um dos pontos altos do novo espetáculo. Em dezembro, vocês me contam se acertei.

“Give Me All Your Luvin’” já foi chamada de promo single exatamente porque nada tem a ver com o resto do trabalho. É patética e irônica, com a participação de duas figurantes totalmente dispensáveis. Madonna ainda assim pode fazer o que quiser, inclusive parecer infantil e rasa. Nem só de “Ray Of Light” é feita a discografia de uma Rainha. Foi para o Super Bowl e já passou. Vamos esquecê-la. 

Em “Some Girls”, Madonna é ofuscada pelos sintetizadores e abuso do auto-tune. Mal se distingue sua sagrada presença vocal. É uma nova versão de “Bobblehead” que às vezes lembra “Monday Morning”. Todas, faixas-bônus do “Bionic”, injustiçado álbum de Christina Aguilera. Logo, concluímos que ela não estava tão errada assim, só o público não teve interesse na sua fase biônica. Mas Madonna gostou e colocou roupas novas.
Se era mesmo necessário um single só para o Super Bowl, então que fosse“Superstar”. Pude imaginar palmas no início da canção. Uh La La, ela também gosta das onomatopeias e sabe que é um fator fácil para torná-la um eterno grude. Dizem que Lourdes Maria fez backing vocal nesta faixa, mas procurei e não achei. Se lá está, seria natural que “Little Star” se tornasse “Supestar”. Pop grudento e simples. Fórmula e medida exatas.

“I Don’t Give A” é atitude de Madonna que voltou depois de tempos duros e não tão doces como queríamos. Outra faixa pop, maciça; foi a maneira alegrinha que Madonna encontrou para dizer que tentou ser uma boa garota, mas já que não deu certo, o divórcio veio em boa hora. Tem também o rap de Nicki Minaj que não comprometeu a qualidade, - PASMEM - mas acrescentou com a constatação: ‘Só há uma Rainha e é Madonna, bitch’. A realeza se entende, se admira e está tudo em casa.

“I’m Sinner” inicia com os vocais mais agudos de Madonna há tempos. O refrão pediu um falsete difícil, mas funcionou no estúdio de gravação; ao vivo só com base. Não porque a ganhadora de dois Globos de Ouro não saiba cantar, só pelo ritmo frenético que insere em seus shows. A atitude de não ligar para as opiniões está aqui novamente. Na segunda vez que você a ouve, repete na cabeça a bridge pelo dia todo. Ela é uma pecadora desde “Like A Prayer”. Ok, desde “Like a Virgin”. A licença poética é toda sua, Rainha.

“Love Spent” me deixou boquiaberta no preview. Ao ouvi-la completa, só tive certeza de que William Orbit sabe bem o que faz. Sintetizadores mais leves, que não se repetem tanto e não a tornam cansativa. Poderia ter feito parte do “Music” só pela pegada country que o banjo do início sugere. Vi a vaqueira pulando a fogueira com o globo-disco suspenso no teto de um clube noturno. Eu e minha imaginação… 

“Masterpiece” é isso: obra-prima. O Globo de Ouro se rendeu à canção, menos Elton John. Balada indispensável para diminuir o ritmo do álbum.Look it up.

“Falling Free” é uma daquelas músicas mais densas que ela gosta de colocar para encerrar seus álbuns. É quando Madonna gosta de ser mais profunda e honesta. Foi assim com “Mer Girl” e “Easy Ride”. Utiliza sua voz de maneira mais séria, alcançando tons mais altos e bonitos como na trilha sonora de “Evita”. Uma artista completa, que sabe quando deve cantar ou apenas entreter. A consciência de Madonna a faz o que é. 

Estas são as músicas que compõem a versão simples do “MDNA”, que num resumo rápido e objetivo, é uma reunião do seu melhor, com uma roupagem moderna. As vozes do “Erotica”, a honestidade de “Like a Prayer”, o pop grudento do “True Blue”, a profundidade do “Ray Of Light” com o dance do “Confessions on a Dance Floor”. É Madonna, de volta ao seu ar debochado, sincero e único; não tão genial ou inovadora, mas ainda assim distinta, relevante na indústria e indispensável nas pistas. O grande equívoco ficou por conta da equipe liderada por Guy Oseary, que raramente erra, mas desta vez tinha melhores alternativas para mostrar o álbum ao mundo. A Rainha não foi a lugar nenhum, portanto, nada de sentar traseiros em seu trono. 

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